domingo, 25 de outubro de 2009

Porque eu e você não pode não


O teatro é um facto vivo que se consome a si mesmo enquanto se produz, mas renasce sempre das cinzas. É uma comunicação mágica onde cada pessoa dá e recebe algo que a transforma, reflecte a angústia existencial do homem e desentranha a condição humana. Através do teatro, não falam os seus criadores, mas sim a sociedade do seu tempo, o teatro tem inimigos visíveis: a ausência de educação artística na infância, que impede descobri-lo e aprecia-lo; a pobreza que invade o mundo, afastando os espectadores das plateias e a indiferença e o desprezo dos governos que deveriam promovê-lo, no teatro os deuses e os homens falavam uns com os outros, mas agora o homem fala a outros homens. Por isso o teatro tem que ser maior e melhor do que a própria vida. O teatro é um acto de fé no valor de uma palavra sensata num mundo demente. É um acto de fé nos seres humanos que são responsáveis pelo seu destino.

Há que viver o teatro para entender o que se está a passar connosco, para transmitir a dor que está no ar, mas também para vislumbrar um raio de esperança no caos e no pesadelo quotidiano.



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